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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

São poucos os que estão à frente de nosso tempo ou muitos que ficaram para trás?

        
           Acredito que esse é um tema para muitas letras e, além disso, que há várias formas de abordá-lo... considerando a multiplicidade dos pontos de vistas, então...
          Mas podemos considerar as características gerais dos que ficaram para trás e dos que estão à frente, ou simplesmente, na média, onde todos deveriam estar.
          Se são os que ficaram, entendo que assim estariam porque pouco toleram, crêem loucamente em deus (ou o que o valha), conseguem pensar um ou dois lances à frente, raramente tres...de tal forma que estão o tempo inteiro influenciáveis por toda sorte de sofismas, artimanhas e teias de um sistema altamente capitalizado, objetalizado, com todos os seus elementos instalados e desenvolvendo-se sem qualquer objeção e/ou questionamento considerável, o que joga a concentração para cima e o ser humano para trás no tempo...ou, na melhor das hipóteses, estacionado.
          São egoistas e dogmáticos, apesar dos prazeres.
          Se são os que se adiantam no tempo, então entendo que isso acontece porque conseguem pensar muitos lances à frente(como no xadrez-o jogo); conseguem analizar cada informação que recebem, com critérios e constróem uma rede de valores sólidos o que redunda em muita clareza no caminho aos objetivos.
          São solidários e autogestionários por excelência, conseguem ser livres mesmo à grilhões, apesar das dores.
          No que se refere ao lugar médio onde todos deveriam estar...bem, se somos frutos do genótipo e do meio em que vivemos, considero que o meio pode nos empurrar para frente, nos fixar medievalmente ou pior, remeter-nos para trás. Sorte que não está só: há o genótipo, principal artífice da evolução e só nos carrega para frente, lentamente, mas para frente, para o futuro evoluido, onde todos poderão estar no lugar médio do tempo onde todos deveriam estar.


Gilmar Bonorino

sábado, 10 de setembro de 2011

Divertir-se loucamente


Soft Watch at the Moment of First Explosion, c.1954 poster
               Soft Watch at the Moment of First Explosion
            Relógio Mole no Momento da Primeira Explosão (Dali)


Como se divertiam os loucos na época em que de fato haviam loucos? Onde eles se divertiam? Gozavam todo mundo, não seguiam regras nem convenções. Falavam alto, riam sem motivo. Seu destino era escapar às posições fixas. Podiam desestabilizar pessoas e costumes. Nômades, transgressores, percorriam estradas e rios, vagando entre as regras e as obrigações. Colocavam de cabeça para baixo imagens de santos, parodiavam os sacramentos, gozavam a autoridade da Santa Igreja.
Faça isso também. É claro que não existem mais rios ou estradas onde se encontrem multidões vociferantes. Se em nossos dias você tentar fazer uma expedição desse tipo, será internado num hospício. É preciso encontrar outra coisa. Tente então ser crítico, cronista, escritor, romancista, artista, cineasta, músico, saltimbanco ou algo do gênero. Simplesmente deslocado. 
Faça o possível para perturbar sua época. Não sonhe com alterar a História, semeie pequenos tumultos onde você está. Desorganize os planos, crie o inesperado, desfaça as previsões. Atravesse obstinadamente a sociedade sem obedecer.



Você deve, evidentemente, se submeter às ordens, aos poderes. Será até mesmo necessário se ajoelhar, por prudência, por covardia, ou mesmo por mera adulação, diante de algum tipo de poder.
Decida que isso não tem importância. Você pode dobrar a espinha, por questões estratégicas, às vezes, se estiver totalmente certo de que nada em você irá se dobrar.



Preserve com cuidado e por muito tempo seu espaço de manobra. Saiba agir de forma oblíqua. Manobre como um louco os contratempos. Pratique passos de viés, o andar de caranguejo, os atalhos. Todos os dias, sem exceção. Adquira o hábito de encontrar a resposta mais incongruente, a que parece menos adequada. De tempos em tempos, faça isso na prática. E veja o que acontece.



A parte mais difícil para que você se divirta  como um louco  é conseguir  pensar que não existe nada realmente sério. Ou seja, chegar ao ponto em que tudo, absolutamente tudo, de certa forma se torna motivo de graça: a existência, a morte, a humanidade, o amor, o universo, as formigas, a escrita, o dinheiro, as profissões, os corpos, o pensamento e a política. E outras coisas mais.
Sem esquecer o próprio riso, a diversão e os loucos.
(Roger-Pol Droit é Filósofo e cronista do jornal francês "Le Monde")