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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Os Cães e os Humanos - Parte III


    

     Do lobo ao limbo


     A maioria das raças que conhecemos hoje tem menos de 200 anos, e é fruto do boom de criação no século 19:
15000 a.C.
Os primeiros cachorros eram como lobos menores e mais dóceis, que se agregaram à humanidade como estratégia de sobrevivência.

2000-1000 a.C.
Os cachorros se espalham pela Eurásia e surgem as primeiras raças, selecionadas naturalmente para os diferentes habitats de seus donos.

Século 2
Os antigos romanos e chineses começaram a experimentar com seleção de espécies, criando cachorros para caça, guarda, pastoreio ou só para ficar no colo mesmo.

Século 19
Com o surgimento dos concursos e kennel clubs, a seleção artificial de cães virou negócio sério e lucrativo. Se em 1800 havia uma dúzia de raças, em 1900 eram mais de 70. A hiperespecialização gerou uma variação enorme dentro da mesma espécie.

    
     Metamorfoses ambulantes


     Os cachorros sofreram alterações radicais nos últimos 100 anos. Veja como estas raças eram e como nós as transformamos - e os graves problemas de saúde provocados por isso.

1. O buldogue só ficou gordo e enrugado porque nós achamos bonito; na versão original, era bem mais atlético.

2. Cérebro pra quê? Deixamos nossos cachorros bocudos - e com uma cabecinha bem menor.

3. Pode parecer difícil de acreditar, mas o bull terrier já teve um focinho normal. Seu narigão é obra do homem.

4. Tantas mudancas enfraqueceram os cães - uma mera infecção de pele pode ser fatal para o bull.


     Mutações de colo


     Na evolução das raças menores, o critério puramente estético foi decisivo na hora de escolher quais cães iriam se reproduzir. Os resultados são belos - e esquisitos também.

1. Um belo dia, alguém teve a ideia de colocar dobrinhas e turbinar (radicalmente) as orelhas do bassê.

2. Você gostaria de passar a vida arrastando a barriga no chão? Foi isso que impusemos ao dachshund.

3. O pug é o Michael Jackson dos cachorros: de tão manipulado, ficou praticamente sem nariz.

4. Algumas raças têm dificuldades crônicas para andar, pois nascem com deformidades nos ossos.

     Pesquisa realizada em diversos países pela Ipsos/Reuters aponta que um em cada cinco cidadãos do mundo prefere passar o Dia dos Namorados com o animal de estimação em vez do parceiro. 
     No Brasil, o número chega a 18%, ficando atrás da Argentina e da Espanha, por exemplo.
     "A ameaça do abandono e o medo de envolvimento podem ser um dos principais motivos para se querer passar o Dia dos Namorados apenas com o animal de estimação. Nada contra esse desejo, desde que isso seja uma exceção à regra, e não uma constante e feita de forma consciente. Defender-se do amor gera desamor contínuo e infelicidade".
     Segundo Andreia Calçada, psicóloga, psicoterapeuta, Ludoterapeuta, em Psicologia e Psiquiatria, o Narcisismo excessivo se configura no que chamamos de Transtorno da Personalidade Narcisista. Talvez aqui, relacionar-se apenas com seu bicho de estimação seja uma boa saída. Os bichos de estimação não reclamam e dificilmente haverá conflitos nesta relação. O narcisista apresenta  dificuldades em estabelecer vínculos reais, baseados em relações de troca.
     Segundo o sociólogo Clairton Lopes, o contexto cultural que garantia a estabilidade das relações amorosas e de casamento hoje mudou drasticamente. As relações afetivas não são mais garantidas por um quadro normativo e a família não é mais o único espaço de relações de convivência entre homens e mulheres. Os relacionamentos ocorrem por escolha das pessoas, não havendo garantia de estabilidade
os elos das relações afetivas e amorosas são cada vez mais frágeis. As relações são rompidas ou mantidas com base em escolhas que devem ser continuamente confirmadas, exigido contínuo investimento para sua manutenção.
     As relações entre os sexos, principalmente as amorosas, tornaram-se um trabalho que requer investimento de tempo e energia. E transformaram-se, assim, em um novo fator de estresse.
     Segundo Therezinha Feres Carneiro (2008), o atual momento social é descrito como uma era cujas mensagens e fenômenos são confusos, fluidos e imprevisíveis. O sociólogo Zygmunt Bauman (2003) in Carneiro, denomina esta era como "modernidade líquida" e compara o momento atual com o mundo darwiniano, onde o melhor e mais forte sobrevive. Os sentimentos são descartáveis, assim como os relacionamentos, em prol da sensação de segurança. Assim, a sociedade contemporânea enfrenta um paradoxo. A fragilidade do laço e o sentimento de insegurança inspiram um conflitante desejo de tornar o laço intenso e, ao mesmo tempo, deixá-lo desprendido.
     Querer conviver com animais é importante, porém, o animal não pode ser substituto das relações humanas. Trocas afetivas amorosas são fundamentais para o crescimento pessoal e social e não podem ser substituídas de forma rígida e inflexível pelo convívio com o animal, correndo o risco de se transformar em defesa neurótica contra o medo do abandono. Amar é risco, se doar é risco, ouvir e ser ouvido é sempre bom.

     Há muitos textos sobre o assunto, em diversas fontes. Procurei fazer uma releitura simples do que achei na web pensando em fazer algo sintético mas não foi possível, dado a complexidade do tema, então dividi-o em tres partes.
     Não pretendo ser dogmático, nem preconceituoso, muito menos esgotar o assunto, mas quero que as pessoas pensem com mais atenção nas prioridades das suas ações em relação ao meio em que vivem. Não acho sadio...acho até que há um componente psicopatológico muito forte que envolve a maioria das pessoas que se submetem à cultura dos Pet Shops, que enchergam alguma racionalidade em usarem isso como afirmação de status e que usam os animais de estimação, principalmente os cães, como uma muleta psicológica, ao ponto de se submeterem à uma degradação da dignidade, quando valorizam mais um cão do que uma criança.
     Trocar o cachorro por uma criança pobre é só uma metáfora escrita por Léo Jaime, que na verdade sugere que se façam ações, se tomem atitudes que ajudem pelo menos a minorar a fome e a degradação à que muitas crianças estão submetidas. Alerta, numa tentativa de abrir os olhos dessas pessoas que gastam horrores com cães e fingem não enxergar a miséria humana.
     Dediquei boa parte (8 anos) de minha vida no serviço público, sou Engenheiro Agrônomo, fui Secretário da Agricultura, Assessor do Gabinete do Prefeiro entre outras funções, usando meus conhecimentos e meu trabalho para produzir alimentos para crianças em alto risco social, em escolas, creches, hospital, apae, e em ações de combate a fome nos bairros de minha cidade.
    Acho que os animais selvagens e domésticos merecem nosso respeito e ajuda, sem a menor dúvida...mas enquanto tiver uma criança com fome perto de mim, prefiro as crianças.

A música "Rock da Cachorra" foi composta por Léo Jaime e foi muito executada nos anos 80, em uma gravação de Eduardo Dusek. Vejam e ouçam no link:

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Os Cães e os Humanos - Parte II


    
Algumas características dessa relação cães/humanos são impressionantes, não há como não questionar-se sobre a sanidade psicológica, capaz de produzir o que segue:
     Segundo a revista Superinteressante e o site cachorroverde.com, verifica-se que atualmente 80% dos cachorros são considerados membros da família, 35% deles dormem na mesma cama que o dono, e 30% têm festinha de aniversário todos os anos!
Tem gente que faz testamento para o cachorro (como a bilionária americana Leona Helmsley, que deixou sua fortuna de US$ 12 milhões para a cadelinha Trouble), e há até quem queira se casar com ele: o site marryyourpet.com oferece cerimônias e certidões de casamento. "Oliver é meu salvador. Sem ele, eu não acreditaria no amor", diz Carolyn, uma mulher que está casada com seu cãozinho há 5 anos.
      São maluquices, mas confirmam uma tendência: nossa ligação emocional com os cães está aumentando. James Serpell, biólogo da Universidade da Pensilvânia, nos EUA diz: "A tendência é que eles ocupem o vazio deixado por casamentos desfeitos e pela demora em ter filhos, muito comum hoje em dia." Isso é sentido na prática: pessoas separadas e viúvas consideram o cachorro mais importante do que a própria família - para elas, os animais fazem o papel de amigos próximo ou de filhos. Trinta e quatro por cento das mulheres e 23% dos homens americanos dizem que seu cãozinho seria o par ideal, se fosse humano. E 60% dos donos não abriria mão de seu cachorro depois do fim de um namoro.



     Assim como na Pré-História os lobos mais gentis haviam entrado nas aldeias, agora eram os cachorros mais dóceis e adaptáveis que entravam nas primeiras metrópoles. Livre das obrigações da lida rural, os cães passaram a usufruir de mimos, guloseimas e passeios. Transformado em bibelô e símbolo de status, o cachorro deixou de ser avaliado pela sua função, e passou a ser pela aparência
Talvez você não tenha visto casos tão extremos, mas certamente conhece algum cachorro que ficou cego, surdo, manco, morreu antes da hora por alguma doença... Mesmo com todo o esforço para aprimorar as raças, 1 em cada 4 cachorros carrega algum defeito genético sério. Eles sofrem mais problemas nos olhos e nos ossos e têm mais câncer do que nós. Como se isso não bastasse, também estão herdando as aflições humanas: um terço dos cachorros é gordo, e boa parte deles é neurótica. Segundo um estudo recém-publicado no Journal of Animal Behavior, 14% dos cães sofrem da chamada síndrome de separação, um distúrbio que causa dependência insuportável do dono. Isso significa que, percentualmente, o mundo tem 9 vezes mais cachorros doidos do que gente doida (1,5% da população humana tem algum transtorno mental). O que está acontecendo?


Sempre é bom lembrar:
Uma criança pobre vive com R$ 70,00;
O custo médio de um cão da classe média brasileira é de 162,00 reais!
Vivem melhor que as crianças.
Fica a sugestão do Eduardo Dusek, no Rock da Cachorra:
"Troque seu cachorro por uma criança pobre"!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Os Cães e os Humanos - Parte I


A proliferação de cachorros hoje em dia é impressionante. Há casos em que em uma moradia existem mais cães do que humanos. Pesquisa realizada por mim, quando trabalhava na Secretaria da Agricultura do município de Itaqui, demonstrou que neste município encontra-se cerca de 30.000 cães (na área rural e urbana), para 40.000 habitantes. Em outra pesquisa realizada pelo estudante Tales Gaspar (Colégio Universitário de Londrina/PR) e que tirou o 2º lugar na maior feira de ciências do país, demonstrou que cada animal em média, produz 300 gramas (0,3 kilos) de fezes por dia, sem contar a urina. A recomendação da Organização Mundial daSaúde (OMS) é de que a população de animais domésticos seja, no máximo, 20% do total de habitantes de um município, portanto, em Itaqui, tirando os gatos e outros pequenos animais domésticos, deveria ter no máximo 3 a 4 mil cães. Pasmem...tem 30.000!..produzindo 9.000 kilos de fezes POR DIA!!!...são 270 toneladas de fezes por mes, que são fator de impacto ambiental altamente considerável, visto que o manejo ecológico dessas fezes inexiste e é possível ocorrer a transmissão de doenças (zoonoses) através da saliva, fezes, patas e urina, como a Raiva, Sarna, Rinite, Bucelose, a Leptospirose, a Criptococose, a Larva Migrans entre outras menos citadas.
Desses 30.000 cachorros, tem alguns que vivem nas ruas, sem donos, cujo sobrevivência não tem custo, mas os demais, que vivem dependentes dos donos, têm um custo. Baixo para os donos pobres e mais alto para as classes média e alta.
Ainda no Trabalho feito por Tales Gaspar, foi detectado que, o custo médio de um cachorro criado pela classe média, é de R$ 162,00 por mes, e que nessa classe há 30% do total dos cães. Considerando Itaqui, teríamos 10.000 cães, a um custo de R$ 1. 620.000 - UM MILHÃO E SEISCENTOS E VINTE MIL REAIS POR MES, 19.440.000 (dezenove milhões e quatrocentos e quarenta mil reais) POR ANO, dinheiro suficiente para ERRADICAR A POBREZA (investimentos em emprego, lazer, saúde e educação) do município.

Um cão, criado pela classe média, custa R$ 162,00 por mes;

Uma criança pobre vive com R$ 70,00 reais por mes, menos da metade...

Acho que Eduardo Dusek percebia isso desde 1982 com

O Rock da Cachorra:

Troque seu cachorro
Por uma criança pobre
Sem parente, sem carinho
Sem rango, sem cobre
Deixe na história de sua vida
Uma notícia nobre...
Troque seu cachorro
Por uma criança pobre...
Tem muita gente por aí
Que tá querendo levar
Uma vida de cão
Eu conheço um garotinho
Que queria ter nascido
Pastor-alemão
Esse é o rock despedida
Prá minha cachorrinha
Chamada "sua-mãe"...
É prá Sua-mãe!
Esse é o rock despedida
Prá cachorra "Sua-mãe"...
Seja mais humano
Seja menos canino
Dê guarita pro cachorro
Mas também dê pro menino
Se não um dia desse você
Vai amanhecer latindo
Troque seu cachorro
Por uma criança pobre
Sem parente, sem carinho
Sem rango, sem cobre
Deixe na história de sua vida
Uma notícia nobre..