Do lobo ao limbo
A maioria das raças que conhecemos hoje tem menos de 200 anos, e é fruto do boom de criação no século 19:
15000 a.C.
Os primeiros cachorros eram como lobos menores e mais dóceis, que se agregaram à humanidade como estratégia de sobrevivência.
2000-1000 a.C.
Os cachorros se espalham pela Eurásia e surgem as primeiras raças, selecionadas naturalmente para os diferentes habitats de seus donos.
Século 2
Os antigos romanos e chineses começaram a experimentar com seleção de espécies, criando cachorros para caça, guarda, pastoreio ou só para ficar no colo mesmo.
Século 19
Com o surgimento dos concursos e kennel clubs, a seleção artificial de cães virou negócio sério e lucrativo. Se em 1800 havia uma dúzia de raças, em 1900 eram mais de 70. A hiperespecialização gerou uma variação enorme dentro da mesma espécie.
Metamorfoses ambulantes
Os cachorros sofreram alterações radicais nos últimos 100 anos. Veja como estas raças eram e como nós as transformamos - e os graves problemas de saúde provocados por isso.
1. O buldogue só ficou gordo e enrugado porque nós achamos bonito; na versão original, era bem mais atlético.
2. Cérebro pra quê? Deixamos nossos cachorros bocudos - e com uma cabecinha bem menor.
3. Pode parecer difícil de acreditar, mas o bull terrier já teve um focinho normal. Seu narigão é obra do homem.
4. Tantas mudancas enfraqueceram os cães - uma mera infecção de pele pode ser fatal para o bull.
Mutações de colo
Na evolução das raças menores, o critério puramente estético foi decisivo na hora de escolher quais cães iriam se reproduzir. Os resultados são belos - e esquisitos também.
1. Um belo dia, alguém teve a ideia de colocar dobrinhas e turbinar (radicalmente) as orelhas do bassê.
2. Você gostaria de passar a vida arrastando a barriga no chão? Foi isso que impusemos ao dachshund.
3. O pug é o Michael Jackson dos cachorros: de tão manipulado, ficou praticamente sem nariz.
4. Algumas raças têm dificuldades crônicas para andar, pois nascem com deformidades nos ossos.
Pesquisa realizada em diversos países pela Ipsos/Reuters aponta que um em cada cinco cidadãos do mundo prefere passar o Dia dos Namorados com o animal de estimação em vez do parceiro.
No Brasil, o número chega a 18%, ficando atrás da Argentina e da Espanha, por exemplo.
"A ameaça do abandono e o medo de envolvimento podem ser um dos principais motivos para se querer passar o Dia dos Namorados apenas com o animal de estimação. Nada contra esse desejo, desde que isso seja uma exceção à regra, e não uma constante e feita de forma consciente. Defender-se do amor gera desamor contínuo e infelicidade".
Segundo Andreia Calçada, psicóloga, psicoterapeuta, Ludoterapeuta, em Psicologia e Psiquiatria, o Narcisismo excessivo se configura no que chamamos de Transtorno da Personalidade Narcisista. Talvez aqui, relacionar-se apenas com seu bicho de estimação seja uma boa saída. Os bichos de estimação não reclamam e dificilmente haverá conflitos nesta relação. O narcisista apresenta dificuldades em estabelecer vínculos reais, baseados em relações de troca.
Segundo o sociólogo Clairton Lopes, o contexto cultural que garantia a estabilidade das relações amorosas e de casamento hoje mudou drasticamente. As relações afetivas não são mais garantidas por um quadro normativo e a família não é mais o único espaço de relações de convivência entre homens e mulheres. Os relacionamentos ocorrem por escolha das pessoas, não havendo garantia de estabilidade
os elos das relações afetivas e amorosas são cada vez mais frágeis. As relações são rompidas ou mantidas com base em escolhas que devem ser continuamente confirmadas, exigido contínuo investimento para sua manutenção.
As relações entre os sexos, principalmente as amorosas, tornaram-se um trabalho que requer investimento de tempo e energia. E transformaram-se, assim, em um novo fator de estresse.
Segundo Therezinha Feres Carneiro (2008), o atual momento social é descrito como uma era cujas mensagens e fenômenos são confusos, fluidos e imprevisíveis. O sociólogo Zygmunt Bauman (2003) in Carneiro, denomina esta era como "modernidade líquida" e compara o momento atual com o mundo darwiniano, onde o melhor e mais forte sobrevive. Os sentimentos são descartáveis, assim como os relacionamentos, em prol da sensação de segurança. Assim, a sociedade contemporânea enfrenta um paradoxo. A fragilidade do laço e o sentimento de insegurança inspiram um conflitante desejo de tornar o laço intenso e, ao mesmo tempo, deixá-lo desprendido.
Querer conviver com animais é importante, porém, o animal não pode ser substituto das relações humanas. Trocas afetivas amorosas são fundamentais para o crescimento pessoal e social e não podem ser substituídas de forma rígida e inflexível pelo convívio com o animal, correndo o risco de se transformar em defesa neurótica contra o medo do abandono. Amar é risco, se doar é risco, ouvir e ser ouvido é sempre bom.
Há muitos textos sobre o assunto, em diversas fontes. Procurei fazer uma releitura simples do que achei na web pensando em fazer algo sintético mas não foi possível, dado a complexidade do tema, então dividi-o em tres partes.
Não pretendo ser dogmático, nem preconceituoso, muito menos esgotar o assunto, mas quero que as pessoas pensem com mais atenção nas prioridades das suas ações em relação ao meio em que vivem. Não acho sadio...acho até que há um componente psicopatológico muito forte que envolve a maioria das pessoas que se submetem à cultura dos Pet Shops, que enchergam alguma racionalidade em usarem isso como afirmação de status e que usam os animais de estimação, principalmente os cães, como uma muleta psicológica, ao ponto de se submeterem à uma degradação da dignidade, quando valorizam mais um cão do que uma criança.
Trocar o cachorro por uma criança pobre é só uma metáfora escrita por Léo Jaime, que na verdade sugere que se façam ações, se tomem atitudes que ajudem pelo menos a minorar a fome e a degradação à que muitas crianças estão submetidas. Alerta, numa tentativa de abrir os olhos dessas pessoas que gastam horrores com cães e fingem não enxergar a miséria humana.
Dediquei boa parte (8 anos) de minha vida no serviço público, sou Engenheiro Agrônomo, fui Secretário da Agricultura, Assessor do Gabinete do Prefeiro entre outras funções, usando meus conhecimentos e meu trabalho para produzir alimentos para crianças em alto risco social, em escolas, creches, hospital, apae, e em ações de combate a fome nos bairros de minha cidade.
Acho que os animais selvagens e domésticos merecem nosso respeito e ajuda, sem a menor dúvida...mas enquanto tiver uma criança com fome perto de mim, prefiro as crianças.
A música "Rock da Cachorra" foi composta por Léo Jaime e foi muito executada nos anos 80, em uma gravação de Eduardo Dusek. Vejam e ouçam no link:









